sábado, 31 de outubro de 2009

Antigas

1
Antiga catedral de Palmas Pr
2
Neve,comum antigamente em Palmas Pr
3
Graciema e João Luza  -Saudadinha Sc
4
Nona e nono Magnabosco  -Vacaria Rs
5
João Luza   1940
6
Tio Étcho
7
Madrinha Maria -Toledo Pr
8
Antigos caminhões  -Tivemos um igual


Quando eu matava




É, houve um tempo em que eu não tinha o mínimo remorso em matar. Minha fama de matador era conhecida na região, minha pontaria respeitada e o número de mortes são incontáveis.


Sabe como é, menino ainda e morando no interior, sem este sentimento de preservação que me move hoje, matar passarinhos eram além de uma diversão, uma maneira de suprir de carne as parcas refeições a que tínhamos direito.

Quem viveu longe das cidades tem conhecimento de que o uso do estilingue, bodoque, setra como chamávamos, era largamente difundido e inclusive, na época a que me refiro, não havia ainda nascido esta preocupação com o meio ambiente e a preservação de espécies animais.

Hoje sei que fazia a coisa errada, mas não podemos culpar os que, como eu, praticavam a caça de pequenos pássaros, mesmo porque agíamos, de certa forma, inocentes por falta de pessoas que nos mostrassem que o erro desta ação.

Admiro pessoas que se preocupam com os animais e, na medida do possível, dou minha colaboração e quando a caça só disparo o clic da máquina fotográfica quando surge à oportunidade de mirar paras um animal ou uma cena da natureza.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O menino da ladeira




Aproveitando a propaganda que esta sendo feita em cima do lançamento do novo filme velho, O menino da porteira, com o cantor Daniel, quero relembrar certa passagem de minha infância quando morávamos no interior nas proximidades de uma estrada de terra que fazia a ligação com a sede do município.


Perto de nossa casa tinha a ponte sobre o rio São João e para ambos os lados havia aclive na estrada devido, obviamente, ao rio correr na baixada e era comum que caminhões transportadores de madeira serrada quebrassem, ou mesmo iam pro cepo, como dizíamos, na subida que chamávamos de ladeira.

O que era um percalço para os motoristas era para mim motivo de satisfação, pois fugindo a rotina, poderia conversar com pessoas estranhas e mais que isso, aproximar-me dos caminhões com seus mistérios para mim, nos meus seis ou sete anos de idade.

Alegria maior e senso de importância ocorriam quando, em busca de uma peça para substituição da quebrada, o veiculo era deixado sob meus cuidados para que não houvesse roubo ou dano no mesmo. Imaginem quem chegaria a fazer alguma coisa, sendo que o mesmo estava sendo guardado por mim, com todo o tamanho que possuía nesta idade.

Quando do conserto do caminhão e sua seqüente partida, o motorista nunca deixava de dar algumas moedas para pagamento do serviço de guarda que eu tivera.

Parodiando eu poderia ter sido chamado de O menino da ladeira e, como na história, o fim também foi trágico, pois nesta mesma descida meu pai acabou perdendo a vida em um acidente com um trator quando eu ainda não contava com nove anos de vida.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Iguaçú (de novo)























Tijolo na boca




Coincidindo com a sexta-feira 13, deparei-me hoje com a noticia que de que pesquisadores italianos desenterraram em Veneza os restos mortais de um suposto vampiro, na verdade seria uma vampira, morto em 1576, época em que eclodiu a peste veneziana, responsável por inúmeras mortes naquela cidade e arredores.


O detalhe do esqueleto é que estava enterrado com um TIJOLO na boca. A explicação que os pesquisadores deram é a de que naqueles tempos, devido à enorme incidência de morte causada pela peste, quando do enterro de alguns, removiam-se outros e como o cadáver era recente, o corpo, ainda em decomposição, apresentava crescimento dos cabelos e unhas e as bactérias presentes na boca corroíam a mortalha dos arredores expondo os dentes, daí a crença de seriam vampiros, comedores de mortalha.

Para evitar que continuassem comendo e possivelmente voltassem para as ruas, para continuar transmitindo a peste, era colocado em suas bocas algo duro de ser comido, no caso o tijolo.

Trazendo este fato para a realidade de hoje, seria interessante colocar novamente esta prática de tijolo na boca, com um detalhe; deveria ser colocado ainda em vida para tapar a boca nos inúmeros vampiros que assolam a política brasileira.



Escrito em 13/03/09

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Era o bicho (literalmente)




Em 1960 meus pais, já com 8 filhos, saíram de Santa Catarina onde moravam e, com o pouco que possuíam lotaram um pequeno caminhão de sua propriedade, dirigiram-se para o Paraná, na região de Palmas, mais propriamente nas proximidades do Rio Iguaçu, interior do município. Neste tempo, para o lugar que se dirigiram, as estradas nem poderiam ser tratadas como tal, não passavam de pouco mais que carreiros.


Compraram certa quantia de terreno e começaram os trabalhos para o local tornar-se habitável que, com o passar do tempo, serviu de modelo para muitos, pois ali foi construído, alem da moradia, um moinho para moagem de cereais, paióis para guarda da produção, chiqueiros, currais e inédito na região, foi formado um parreiral que com alguns anos já era possível a produção de vinho.

Mas foi no primeiro ano desta verdadeira epopéia que eu nasci, naquele imenso sertão, onde era comum a presença de onças pintadas e pumas (chamados de leões baios), muitos animais domésticos foram por eles devorados.

Certamente que não lembro, mas contam que eu dificilmente dormia a noite, sobressaltado com qualquer barulho acordava os outros gritando: É o bicho, é o bicho!

Ainda hoje retornando ao local fico impressionado pela paisagem composta de morros e canhadões e pasmo com a coragem de meus pais por terem ido morar naqueles confins há quase 50 anos atrás e não é de duvidar que alguns bichos ainda estejam por lá.

sábado, 24 de outubro de 2009

PAISAGENS

1

2

3

4

5

6

7

8

1,2,3,4 e 5 Terras que pertenceram aos meus nonos, antigamente em Vacaria Rs

6,7 e 8 Palmas Pr

A primeira nunca esquecemos




Para que não haja mal entendido já vou esclarecendo que se trata de uma pequena história referente à minha primeira bicicletinha que, com esforço, consegui adquirir quando contava com meus doze anos de idade. Todos sabem da emoção das primeiras pedaladas, o sentimento de conquista que toma conta de nos quando seguimos vários metros sem por os pés no chão, é quase como se voássemos.


A minha primeira foi uma bicicletinha, já usada, comprei-a de um sobrinho por um preço bem pequeno, no primeiro pagamento de um emprego que eu conseguira em uma marcenaria. No terceiro mês dei entrada em uma nova bicicleta e acabei dando de presente, a bicicletinha velha, para o mesmo sobrinho que havia me vendido.

Esta minha ação acabou dando frutos muitos anos depois quando precisei de uma boa quantia de dinheiro para comprar minha primeira casa, este sobrinho, que nunca se esqueceu do presente e estava numa situação econômica boa, emprestou-me o dinheiro que faltava para o negócio, sem cobrar nada de juros.

Este meu sobrinho, tal como a bicicletinha, já não existe mais, vitimado por um acidente automobilístico faleceu há sete anos, mas a sua lembrança ainda persiste e ontem, quando fui com minha filha comprar uma bicicleta para ela, lembrei-me da primeira que eu tive e de todo ocaso que envolveu esta aquisição.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

DONA BASTIANA E O TONHO




Na verdade não era Bastiana, é que por mais que eu tente lembrar seu verdadeiro nome, não consigo, devido aos muitos anos que se passaram quando da ocorrência dos fatos que passo a contar. Filha de escravos que viviam nas fazendas dos campos de Palmas, pequena ficara órfã, casou-se já com certa idade, indo morar com seu marido em um lugar bastante retirado, no meio do mato, em um pequeno ranchinho por eles mesmo construído de pau a pique (madeira grosseira, sem preparo) com o chão de terra batida. Ali viviam de pequenas roças, plantavam o necessário para sobreviveram, onde tiveram dois filhos, uma menina e o Tonho.


Naquele tempo havia grandes áreas de terra que embora tivessem dono, eram pouco exploradas e muita gente simplesmente entrava nas partes mais longínquas e ali viviam, como foi o caso da Bastiana.

Por outro lado, neste mesmo tempo, existiam índios, da raça Kaingang, aqui na região que não estavam abrigados em toldos demarcados, e portanto viviam livres.

Para estes índios não existia a lei de propriedade, achavam que animais ou plantações eram de quem pegasse primeiro, e aconteceu em uma ocasião deles se apropriarem dos milhos verdes da pequena plantação da Bastiana e seu marido.

Foram expulsos do roçado sob ameaça de uma velha espingarda taquari, mas a partir deste dia iniciaram uma perseguição implacável à pequena família, culminando com a morte do marido a golpes de pau.

Bastiana e seus dois filhos vieram morar perto de onde vivamos e passou a ser de confiança para minha mãe que sempre usava seus préstimos. Devido a sua simplicidade e humildade, os filhos praticamente tomaram conta de D. Bastiana, embora ela chamasse a atenção para seus modos, de nada adiantava, e passaram a destilar sua falta de educação para todas as outras pessoas. Particularmente Tonho era o que mais fazia das suas. Criou um desrespeito profundo por nós que, quando pequenos, tínhamos a cabeça branca, prometendo que iria cagar em cima.

Por causa disso, várias vezes D. Bastiana discutia com ele, mas no fim acabava concordando dizendo: “Tonque se, tom é.”

Algum tempo depois mudamos e não mais fiquei sabendo de D. Bastiana e o Tonho que se não mudou de gênio, boa coisa não deu.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Fotos das taperas

1 e 2 Segredo Rs
3 e 4 São Manoel Rs
5,6,7 e 8 Palmas Pr

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

TAPERAS

1

2

3

4

5

6

7

8

UMA MULHER DE FIBRA




Neste dia quero fazer uma homenagem para minha mãe, particularmente acho que todos os que escrevem, um certo dia fizeram ou farão algum texto referente a sua.


Estendo esta homenagem a todas as mulheres e de um modo muito especial a vocês que dão o tempero necessário para o crescimento e o sabor do Recanto.

É um pequeno resumo da vida de minha mãe, neste mês em que fazem 5 anos de sua morte após ter passado por 2 AVCs aos 84 anos de idade.

Nasceu no Rio Grande do Sul em 1920, casou-se aos 21 anos, até então sua vida tinha sido a normal para uma família de descendentes italianos, com vários irmãos, todos morando juntos com os pais. A partir do casamento, com um homem 3 anos mais novo, em plena segunda guerra mundial, começou sua história de guerreira, depois de ter um filho e já esperando outro, seu marido foi chamado para o serviço militar, naquela época em plena guerra ninguém era dispensado.

Durante um ano pouco se viram, seu serviço era prestado bastante longe de onde ela vivia, só não foi para a frente de batalha porque já havia sinais de que a guerra estava prestes a terminar, muito embora seu nome constasse nas listas de embarque.

Saíram do Rio Grande, viveram alguns anos em Santa Catarina, no sul e depois disso foram para o oeste, e finalmente vieram morar aqui no Paraná. Naquela época as estradas eram pouco mais que carreiros e o tempo chuvoso fez com que a mudança, em um pequeno caminhão, demorasse de um ponto ao outro de Santa Catarina mais de uma semana.

Quando finalmente se estabeleceram aqui no Paraná, já com 9 filhos (sou o mais novo) e a vida dava mostras de melhora, meu pai acabou morto em um acidente de trator aos 47 anos, deixando a família nas mãos de mamãe que teve que aguentar as pontas, com todas as dificuldades possíveis de imaginar. Devo colocar aqui que não havia naquele tempo todo o assistencialismo que é oferecido hoje pelo governo, nem mesmo pensão minha mãe ficou recebendo.

Para não me estender muito, quero apenas salientar que ela deu conta do recado, todos os filhos cresceram e cada um tem uma profissão e vivem basicamente bem e o que é importante, dentro da lei.

Minhas sinceras homenagens a muitas mulheres que tem história de luta como teve minha mãe.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009